segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Grande Castigo: o Castigo Espiritual

O GRANDE CASTIGO IMINENTE REVELADO NO TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA

Pelo Padre Paul Kramer, B.Ph., S.T.B., M. Div., S.T.L. (Cand.)

SEGUNDA PARTE
O CASTIGO ESPIRITUAL

Na primeira parte desta série sobre o Grande Castigo iminente, concentrei-me em especial no aspecto físico do castigo: o papel da Rússia em fazer guerras e provocar a aniquilação de nações. A aniquilação de metade do mundo parece ser, no mínimo, bastante radical - seria a maior catástrofe desde o Dilúvio. Este, porém, não é o aspecto mais terrível do castigo profetizado no Segredo. O que é mais assustador é o castigo espiritual.

Aqui discorreremos sobre a Segunda Parte do Terceiro Segredo de Fátima em que a Igreja não a tornou pública.

Perseguição da Igreja e do Santo Padre

A segunda parte do Segredo já fala sobre a perseguição da Igreja e do Santo Padre. Em 13 de Julho de 1917, Nossa Senhora de Fátima avisou:

Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas.

A Perseguição da Igreja está Anunciada na Parte não Pública do Terceiro Segredo

"Deus", disse Nossa Senhora, "vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre". A perseguição da Igreja que vai ter lugar será tal como nunca antes aconteceu em toda a história do mundo. Acontecerá o que parecia impossível, mas que está anunciado na parte não publicada do Terceiro Segredo e nas Sagradas Escrituras.

A Grande Apostasia na Igreja Começará pelo Topo com o Antipapa Maçônico

Na sua carta ao Professor Baumgartner, o Cardeal Mario Luigi Ciappi revelou: "No Terceiro Segredo prevê-se, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará pelo topo". Isto corresponde ao que o Livro das Lamentações revela: "Os reis da terra e todos os habitantes do mundo nunca acreditariam que o adversário e o inimigo entrariam pelas portas de Jerusalém". O que está predito é que os partidários do demônio ocuparão a Cúria Romana sob um antipapa maçônico.

Em 1998, o falecido Padre Malachi Martin disse no Art Bell Show que no início de Fevereiro de 1960, quando era Secretário do Cardeal Bea, teve a oportunidade de ler o Terceiro Segredo de Fátima, que descreveu como sendo escrito numa única folha de papel. Mais disse que as palavras de Nossa Senhora eram muito secas e específicas, e que falavam de um futuro "Papa" - um impostor que usurparia a Santa Sé de Roma, estando completamente sob o controle do demônio. Assim, o Terceiro Segredo de Fátima revela o "mistério de iniquidade" (2 Tess. 2:7): A falsa Igreja "Católica" - a contra-Igreja, a anti-Igreja - o mistério do dragão, cuja cauda varreu a terça parte das "estrelas do Céu", isto é, a terça parte da hierarquia católica sob a direção do antipapa herético.

É isto que o Papa João Paulo II revelou enigmaticamente a respeito do Terceiro Segredo em 13 de Maio de 2000: "A mensagem de Fátima é um chamamento à conversão, alertando a humanidade para que não tenha nada a ver com o ‘dragão’ cuja ‘cauda varreu a terça parte das estrelas do Céu, e lançou-as à terra’ (Apoc. 12:4)".

Quando falei com o Padre Malachi Martin sobre o antipapa herético da apostasia no Terceiro Segredo, a resposta do Padre Malachi foi: "Assim fosse só isso". O antipapa e os seus colaboradores apóstatas serão (como diz a Irmã Lúcia) "partidários do demônio" "que trabalham para o mal e não temem nada".[1] Estes "partidários do demônio" constituem a "terça parte das estrelas do Céu" varridas pela cauda do dragão. Estes homens, que se apresentam como clérigos ‘católicos’, são membros secretos da seita e estão consagrados ao demônio. Chegarão a controlar o aparelho de estado do Vaticano e a estabelecer o ramo ‘católico’ de uma nova religião universal ecumênica. A sua falsa ‘Igreja’ será católica apenas no nome. Formará a parte ‘católica’ da religião estabelecida e obrigatória da Nova Ordem Mundial. O Catolicismo autêntico será posto fora da lei, e os fiéis Católicos que restarem serão sujeitos à perseguição mais feroz que alguma vez houve na história do mundo.

Perseguição aos Católicos Fieis

Os Católicos não serão bem vindos na Civilização do Amor: o exclusivismo dos seus dogmas (como, por exemplo, extra ecclesiam nulla salus, ou seja, "Fora da Igreja não há salvação") fará com que sejam considerados perigosos ‘fanáticos’ e ‘terroristas’ - uma ameaça mortal à unidade e ‘paz’ ecumênicas da Nova Ordem Mundial. Assim, a verdadeira Igreja Católica será tratada como uma organização fora da lei, e uma ameaça à paz mundial. A situação da Igreja será, pois, a mesma que havia durante as perseguições romanas, quando a Igreja era considerada uma organização subversiva e criminosa. Serão promulgadas leis penais para castigar os praticantes não-conformistas de formas ‘ultrapassadas’ de religião pré-conciliar que ameaçam a ‘paz’ mundial (a ordem ecumênica neo-pagã da Civilização do Amor) pelo seu apego divisivo a um exclusivismo dogmático que (como já se alega) leva a ‘perseguições’ inquisitoriais, guerras religiosas e cruzadas.

Oferecer-se-á aos Católicos uma alternativa, para que possam evitar as maçadas da perseguição e do martírio. A vasta maioria será levada pelo engano e cometerá apostasia. À semelhança do que hoje se passa na China, terão o seu latim, o seu incenso, a sua ‘Missa’, etc. - mas com a condição de estarem em comunhão com a Igreja estabelecida - com a Roma que já nessa altura será apóstata. Serão obrigados a estar sujeitos ao Papa impostor, cuja Igreja falsa estará em comunhão com a Grande Igreja Ecumênica que unirá todas as religiões.

Os que tiverem a graça e a fortaleza de se manterem fiéis à Fé Católica recusar-se-ão a abandonar a verdadeira religião católica tradicional. Porque recusaram, serão tidos como fanáticos incorrigíveis e cismáticos obstinados. Serão desprezados por toda a parte como inimigos da Civilização do Amor, e serão acusados pelo fracasso da Nova Ordem Mundial em alcançar paz, amor, unidade e harmonia universais. O seu destino é nos mostrado pela visão do Terceiro Segredo: o Papa, o clero e os Católicos fiéis serão sistematicamente perseguidos e brutalmente exterminados por se recusarem a abraçar a falsa religião do Ecumenismo e da Liberdade Religiosa, princípios estes que foram vigorosa e explicitamente condenados pela Igreja Católica nas declarações pré-conciliares de Papas como Pio IX no Syllabus, Pio XI na Mortalium Animos e Gregório XVI na Mirari vos.

S. Metódio (+358) escreveu, acerca desta perseguição: "Chegará o tempo em que os inimigos de Cristo se hão de vangloriar: ‘Sujeitamos a terra e todos os seus habitantes, e os Cristãos não podem escapar das nossas mãos’".

Segundo S. Cesário de Arles (469-543), "haverá uma grande carnificina ... os altares e os templos serão destruídos ... os pastores da Igreja abandonarão os seus púlpitos, e a própria Igreja será despojada de tudo quanto é temporal".

Particularmente significativa é a profecia do Bispo George Michael Wittman (+1833):

"Ai de mim! Vêm aí dias tristes para a Santa Igreja de Jesus Cristo. A Paixão de Jesus será renovada da maneira mais dolorosa na Igreja e no seu Chefe Supremo. Em todas as partes do mundo haverá guerras e revoluções, e correrá muito sangue. Angústias, desastres e pobreza serão grandes por toda a parte, porque as doenças pestilenciais, a carestia e outras desgraças seguir-se-ão umas às outras.

Mãos violentas serão postas sobre o Chefe Supremo da Igreja Católica: bispos e padres serão perseguidos, e um cisma será provocado, e reinará a confusão por todas as classes. Virão tempos tão preeminentemente maus, que parecerá que os inimigos de Cristo e da Sua Santa Igreja, que Ele fundou com o Seu Sangue, estão prestes a triunfar sobre Ela ... As sociedades secretas causarão grande ruína, e exercerão um poder monetário espantoso, e através dele muitos ficarão cegos, e infectados com os erros mais horríveis: todavia, tudo isto de nada lhes valerá ... não podem abalar a rocha sobre a qual Cristo fundou a Sua Igreja: ‘Portae inferi non praevalebunt’".

A Falsa Igreja da Escuridão

Anna Katarina Emmerich (1774-1824), freira agostinha alemã que foi estigmatizada, profetizou igualmente a vinda da "falsa Igreja da escuridão":

"Vi uma Igreja estranha a ser construída contra todas as regras, como sendo a nova Igreja heterodoxa de Roma. A Igreja está em grande perigo. Estão já a exigir algo dele (do Papa). A doutrina protestante e a dos Gregos cismáticos espalhar-se-ão por toda a parte. A Igreja está a ser minada com grande sagacidade. Vi que muitos pastores deixaram se levar por ideias perigosas à Igreja. Estavam a construir uma Igreja grande, estranha e extravagante. Toda a gente seria admitida nela para estarem todos unidos e com direitos iguais: Evangélicos, Católicos, seitas de todo o gênero. Assim viria a ser a nova Igreja".

A Irmã Emmerich resumiu assim a sua descrição da tribulação da Igreja: "Naqueles dias, a Fé cairá muito baixo, e só se conservará nalguns lugares, nalgumas casas e nalgumas famílias que Deus protegeu dos desastres e das guerras".

A Igreja Católica, evidentemente, não será a verdadeira causa do fracasso da Civilização do Amor. Será assim entendido pelas nações apóstatas e infieis do mundo porque a Fé da Igreja constituirá o testemunho contra a ausência de Deus da Nova Ordem Mundial. Precisamente porque os apóstatas serão despojados da luz da Fé e dos dons do Espírito Santo é que, na cegueira do seu intelecto escurecido, deixarão de compreender a verdade ensinada por Santo Agostinho - que a Cidade do Homem, sem Deus, não pode consistir na paz porque não tem fé e é perversa na sua rebelião contra Deus, o fará com que a cólera de Deus caia sobre si.

Uma Grande Apostasia

Haverá uma grande apostasia. Está profetizada nas Sagradas Escrituras (2 Tess. 2:3). Está mencionado em muitas profecias dos Santos e aparições da Santíssima Virgem, e está revelado no Terceiro Segredo de Fátima. A apostasia é uma parte grande e integral daquilo a que S. Paulo chamava ‘mistério de iniquidade (que) já existe’ (2 Tess. 2:7). É, de fato, um mistério, porque o mal é em si um mistério; mas não é mistério a razão por que o aparelho de estado do Vaticano, dirigido pelo Cardeal Angelo Sodano, não quer que os fiéis católicos saibam do conteúdo do Terceiro Segredo, no que se refere à apostasia. Não é porque eles não querem que se confunda "a profecia religiosa com o sensacionalismo", como falsamente disse o Cardeal Ratzinger em 1984. Não é para o bem da Igreja e a salvação das almas, mas é antes para que eles não sejam censurados, e para defender a sua estratégia modernista e as suas próprias carreiras eclesiásticas que se conluiram diabolicamente para evitar a publicação das "palavras que Nossa Senhora confiou como um Segredo aos três pastorinhos na Cova da Iria".[2] São eles, afinal, os que promovem os ensinamentos condenados do Ecumenismo e da Liberdade Religiosa em nome do Vaticano II, e que querem fazer destes erros condenados a pedra angular da nova religião, a que o Cardeal Benelli chamou Igreja Conciliar, com a sua Nova Evangelização e a sua Civilização do Amor. O Terceiro Segredo de Fátima é um libelo acusatório contra eles, e crava uma estaca no coração da falsa Igreja.

Desorientação Doutrinal

Como já fiz notar, é um mistério como quase toda a Igreja caiu na apostasia. Tal coisa nunca poderia suceder numa Igreja em que os fiéis estivessem bem instruídos na Doutrina Cristã tradicional e na prática das virtudes cristãs. Não será a Nova Evangelização, mas a fidelidade à Tradição, que conservará um resto de Católicos na Fé, como explicou S. Vicente de Lérins: "O que fará o Católico ... se algum novo contágio tentar envenenar, não apenas uma pequena parte da Igreja, mas toda a Igreja de uma só vez? Nessa altura, a sua grande preocupação será manter-se ligado às coisas antigas, que já não podem ser desencaminhadas por alguma novidade mentirosa".

Infelizmente, os Católicos hoje não estão bem instruídos na Tradição católica da antiguidade ou na ortodoxia do catecismo tradicional, mas, pelo contrário, no novo catecismo do ‘magistério vivo’ e da ‘tradição viva’ da Igreja Conciliar e da Nova Evangelização. A ‘renovação post conciliar’ que foi trazida pelo aggiornamento, a implementação das reformas post conciliares, produziram a ‘perda da Fé’ e a ‘desorientação diabólica’ a que o antigo Bispo de Fátima (D. Alberto Cosme do Amaral) e a Irmã Lúcia se referiram como sendo o ponto central do Terceiro Segredo de Fátima.

"A desorientação é diabólica", escreveu a Irmã Lúcia [29-12-1969], "não vos deixeis ser enganados". A desorientação é doutrinal: "nestes tempos de desorientação diabólica, não nos deixemos ser enganados por falsas doutrinas" [12-4-1970]. É um "cancro" na Igreja [29-5-1970] que afeta "sacerdotes" e "almas consagradas" que foram "desviadas": "É triste", escreveu a Irmã Lúcia [16-9-1970], "ver tanta desorientação, e em pessoas que ocupam cargos de responsabilidade ... são cegos que guiam os cegos". Portanto, são os que ocupam as posições mais elevadas na Cúria Romana quem abriu caminho à Grande Apostasia.

O Silêncio de Roma Quanto ao Terceiro Segredo de Fátima

O Padre Joaquín Alonso, que foi o arquivista oficial de Fátima durante dezesseis anos, acertou em cheio quando disse: "É, portanto, inteiramente provável que o texto (do Terceiro Segredo) faça referências concretas à crise da Fé na Igreja e à negligência dos próprios pastores", e às "lutas internas no próprio seio da Igreja e à grave negligência pastoral da hierarquia superior".

"Poucas semanas antes de morrer", como escreveu o Irmão Michel da Santíssima Trindade, o Padre Alonso, "prudentemente, deu a ideia de justificar o silêncio de Roma (quanto ao Terceiro Segredo) ao escrever estas linhas de uma clarividência notável:

"Uma revelação inoportuna do texto apenas exasperaria ainda mais as duas tendências que continuam a dividir a Igreja: um tradicionalismo que crê ser apoiado pelas profecias de Fátima, e um progressismo que atacaria violentamente estas aparições, que pareceriam, de uma maneira tão escandalosa, travar o progresso da Igreja conciliar. ... O Papa Paulo VI julgou oportuno e prudente adiar a revelação do texto para dias melhores. O Papa João XXIII declarou que o texto não se referia ao seu pontificado. ... E os Papas seguintes consideraram que não tinha chegado o momento de levantar o véu do mistério, em circunstâncias em que a Igreja ainda não tinha superado o impacto assustador de vinte anos post conciliares, durante os quais a crise da Fé se instalou a todos os níveis".

Aqui está o libelo acusatório contra o aparelho de estado do Vaticano a respeito do Terceiro Segredo: É a negligência dos que ocupam os cargos de autoridade mais altos que é responsável pela desorientação diabólica na Igreja, cujo resultado é que "a crise da Fé instalou-se a todos os níveis". É literalmente verdade que a desorientação diabólica se instalou na Igreja a todos os níveis, incluindo o mais alto nível. A prova disto é que se ensinam heresias ao mais alto nível em Roma: em nome do ‘magistério vivo’ e da ‘tradição viva’ da‘Igreja’, o sentido e a compreensão do dogma definido estão a ser mudados.

Heresias Ensinadas pela Igreja

Aqui está um dos muitos exemplos de heresia que estão a ser ensinados ao mais alto nível na Igreja, como se de doutrina católica se tratasse: O Catecismo Católico sempre ensinou, como parte da doutrina cristã, que o Antigo Testamento terminava com o início do Novo Testamento, que o substituía. Esta é a doutrina da Fé universal e perpétua da Igreja Católica. É ensinada numa multidão de catecismos, manuais de doutrina cristã e tratados de teologia, aprovados pela autoridade eclesiástica e pontifícia e garantidos como estando livres de erros doutrinais. É também expressamente o ensino apostólico das Sagradas Escrituras. S. Paulo, escrevendo expressamente sobre o tema da relação do Velho Testamento para com o Novo, cita Jeremias: "Contrairei com a casa de Israel, e com a casa de Judá, uma nova aliança: não como a aliança que Eu fiz com os seus pais ..." (Heb. 8:8-9). S. Paulo explica então, sob a inspiração infalível do Espírito Santo: "Chamando-a nova, Ele deu por antiquada a primeira. E o que é antiquado e envelhece, está a chegar ao fim" (Heb. 8:13). O fim [aphanismou] tem o sentido de ‘destruição’ ("aphanismos: desaparecimento; destruição. Heb. 8: 13")[3].

A doutrina da supressão do Velho Testamento pelo Novo é um artigo definido da Fé Católica. Na Profissão de Fé solene do Concílio Ecumênico de Florença, sob a autoridade do Papa Eugênio IV, lê-se:

"A sacrossanta Igreja Romana ... crê firmemente, professa, e ensina que a matéria pertencente ao Velho Testamento, da Lei Mosaica, dividida em cerimônias, ritos sagrados, sacrifícios e sacramentos, porque foram estabelecidos para significar algo no futuro, embora fossem adequados ao culto divino naquele tempo, depois da vinda de Nosso Senhor, que eles significavam, cessaram, e os sacramentos do Novo Testamento começaram; ... Todos aqueles, portanto, que a partir desta altura observam a circuncisão e o dia de Sábado e as demais obrigações da lei, [a Igreja Romana] declara-os afastados da Fé Cristã e de modo algum capazes de participar na salvação eterna, a não ser que um dia abandonem estes erros (D.S. 1348)".

A nova doutrina da Igreja Conciliar opõe-se diretamente a este dogma da Fé Católica. Em 17 de Novembro de 1980, o Papa João Paulo II declarou, numa alocução à comunidade judaica de Mainz, na Alemanha, que a "Velha Aliança" nunca tinha sido "revogado por Deus". Isto é heresia. Continua a ser heresia, apesar de ser a doutrina "oficial" do Vaticano (do Vaticano, mas não da Igreja Católica Romana), apresentada nas Notas sobre a Maneira Correta de Apresentar os Judeus e o Judaísmo na Pregação e na Catequese da Igreja Católica Romana, de 1985. O documento declara, no terceiro parágrafo, que o Judaísmo é uma "realidade presente", e não uma "realidade histórica" ultrapassada. O documento cita a autoridade de João Paulo II e cita as palavras do seu discurso, acima mencionado, em que João Paulo II fala do "povo de Deus e da Velha Aliança que nunca foi revogada". John Vennari sublinhou, num artigo recente, que, "Em vez de declarar que as Notas interpretavam mal as suas palavras, João Paulo, pelo contrário, falou do seu apoio incondicional ao documento" em 28 de Outubro de 1985. Da mesma maneira, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos caiu na mesma heresia no seu documento A Misericórdia de Deus Dura para Sempre: Diretivas sobre a Apresentação dos Judeus e do Judaísmo na Pregação Católica. O documento cita as palavras do Papa, de que a Velha Aliança nunca fora revogada, para apoiar a heresia de que Cristo não suplantou a Velha Aliança ao estabelecer a ‘Nova e Eterna Aliança’.[4] Eis aqui um exemplo, entre muitos, da desorientação diabólica ao nível mais alto da Igreja.

A Sagrada Doutrina da Fé Católica é imutável, pela sua própria natureza. Isto foi claramente declarado pelo Primeiro Concílio do Vaticano na Dei Filius (Sessão II, Cap. IV), nos seguintes termos:

Porque a doutrina da Fé, que Deus revelou, foi confiada como depósito divino à Esposa de Cristo, para ser fielmente guardada e infalivelmente interpretada. Daqui se infere, também, que a compreensão dos seus dogmas sagrados, que a Santa Madre Igreja tem declarado, deve ser mantida perpetuamente; e nunca deve haver um recuo a partir desse significado, sob o pretexto ilusório de uma compreensão mais profunda.

Portanto ... que a compreensão, o conhecimento e a sabedoria dos indivíduos em si como de todos, seja de um homem como de toda a Igreja, cresça e progrida fortemente com a passagem dos tempos e dos séculos; mas que tal seja apenas no seu próprio ser, ou seja, no próprio dogma, com o mesmo sentido e a mesma compreensão (S. Vicente de Lérins) [D.S. 3020].

O Papa Gregório XVI declarou a todos os Bispos do mundo católico na Encíclica Mirari vos: "nada do que foi regularmente definido pode ser diminuído, alterado ou acrescentado, e recusa toda e qualquer alteração de sentido, ou até de palavras". Quem quer que mude, altere ou modifique o sentido ou o significado dos artigos da Fé definidos cai na heresia e incorre no anátema promulgado pelo Primeiro Concílio do Vaticano: "Se alguém disser que é possível que se atribua, por vezes, aos dogmas declarados pela Igreja um significado de acordo com o progresso da ciência, diferente do que a Igreja compreendeu e compreende: seja anátema" [D.S. 3043].


Notas

1. Irmã Lúcia, carta de 29-5-1970.
2. Comunicado de imprensa do Vaticano à UPI em Fevereiro de 1960.
3. Joseph Henry Thayer; a Greek-English Lexicon of the New Testament; Grand Rapids, 1982, p. 88.
4. John Vennari, "The Attack on the Oberammergau Passion Play", Parte III, Catholic Family News, Julho 2003.




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